pegadas de lama [o meu caminho]

Se caminho na lama, então pode ser que as marcas sirvam para alguma coisa.

O Acordo

com 19 comentários

O que me chateia no novo acordo ortográfico não é a mudança. Se não se evoluísse, ainda escrevíamos português arcaico.

O que me chateia mesmo neste acordo, é que sendo Portugal o único país desenvolvido da CPLP, termos de gramar com as regras que os outros não conseguiram aprender, adaptando a secular língua de Camões a dialectos.

Em comparação, era como se o Inglês ao invés de ser actualizado pela evolução da língua nos EUA, fosse adaptado às necessidades e incapacidades que a língua sofresse na Índia. Era giro, não era?

Porque quem não concordar, pode tentar explicar-me porque é que umas consoantes mudas vão desaparecer enquanto outras permanecem, apenas em função das que os brasileiros entendem dizer ou não.

Não é xenofobia, é bom senso. Portugal tem a obrigação de ser a bitola da língua portuguesa, sob pena de a ver extinguir-se numa amálgama apenas falada abaixo do equador.

Escrito por Vítor

Abril 7, 2008 às 9:01 am

Publicado em Pensamentos

19 Respostas

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  1. Humm… pois mas um dia, estava a ouvir um programa Brasileiro, e alguém disse, nao como nós falamos é como os Portugueses que aqui chegaram falavam, por isso Os Luisiadas só rimam se forem lidos com sotaque…e a porra é que ele tinha razao!!!

    SandraRicardo

    Abril 7, 2008 em 11:12 am

  2. M!!! Lilac wine, is sweet and heady, Like my lovediz (12:05):
    http://pegadasdelama.wordpress.com/
    H diz (12:06):
    que é isto?
    M!!! Lilac wine, is sweet and heady, Like my love. diz (12:07):
    é um blog
    gostei da opinião dele acerca do acordo ortográfico
    H diz (12:07):
    ya
    M!!! Lilac wine, is sweet and heady, Like my love. diz (12:07):
    nada de cientifico ou com grandes aprofundamentos
    H diz (12:07):
    a cena é que ninguém faz nada
    H diz (12:08):
    tudo refila em blogs e cafés
    M!!! Lilac wine, is sweet and heady, Like my love. diz (12:08):
    e tu o que fazes?
    H diz (12:08):
    mas como em tudo, o português come e cala
    M!!! Lilac wine, is sweet and heady, Like my love. (12:08):
    uma coisa é certa
    ele podem estar abaixo da linha do equador e ser subdesenvolvidos
    mas mesmo assim tem um desenvolvimento razoável
    e se não fossem eles não teríamos acesso a milhentas traduções literárias
    H diz (12:08):
    verdade
    H diz (12:09):
    nem a sites na net
    nem wikipedia nem nada
    M!!! Lilac wine, is sweet and heady, Like my love. Aishiteru wa! diz (12:09):
    pois é

    Pandora

    Abril 7, 2008 em 11:13 am

  3. SR: Essa corrente de pensamento há-de ter as suas razões. A mim parece-me que a ser assim, isso não se desvaneceria na nossa língua actual. No entanto, nem eu nem eles sabemos. Se ao menos existisse youtube à época… ;)

    Pandora: Primeiro que tudo, acho que isto não é uma guerra. De “ter de se fazer qualquer coisa”. As coisas são o que são. No entanto falar e não fazer, deve ser preferível a nem falar nem fazer, digo eu.
    Um desenvolvimento razoável… é discutível. No entanto, como leitor, utilizador, ouvinte, digo-te que tenho esta opinião porque não existe nada na minha experiência pessoal que tenha sido facilitado pelas tais traduções brasileiras. Sou do tempo em que os manuais técnicos só existiam em inglês ou dialecto brasileiro (McGraw-Hill) e sendo que eram técnicos ficavam praticamente inutilizáveis com as péssimas traduções que eram feitas. Fila em vez de ficheiro (directo do inglês: file) ou demanda em vez de procura (nos manuais financeiros, directamente do inglês: demand) são apenas dois minúsculos exemplos do que quero dizer. Quanto ás traduções literárias, confesso que não estou ciente de que milhares são esses: todos os livros que li traduzidos do inglês, foram traduzidos por portugueses, em português correcto e não estou a ver nenhuma obra internacional que exista no dialecto brasileiro e que não exista em português, nem tão pouco sei onde se vendem esses livros, confesso.
    Mas mesmo na wikipédia, as traduções têm duas características: são pequenas e más. O artigo original em inglês é em 99,99% das vezes mais correcto e completo.
    Os sites na net, são miseravelmente traduzidos (muitas vezes com motores automáticos) e são só opção para quem não dominar a língua inglesa, regra que aliás se aplica a tudo o que disse antes.

    Por isto tudo, não vejo que tenha de existir alguma gratidão. Nem nenhuma guerra. A história encarregou-se ao longo dos séculos de erradicar umas línguas e de promover outras e fará o mesmo a este novo português. Não se decreta em lei, a vontade que temos sobre a forma de nos exprimirmos. :)

    Akula

    Abril 7, 2008 em 12:41 pm

  4. Akula, é lamentável, mas a verdade chama-se demografia (186 milhões de habitantes brasileiros) e interesses económicos.

    E também é triste. Não vejo a mairoria dos portugueses que por si só, vai dando os maiores pontapés na gramática, a protestar contra este acordo… Vistches? ;)

    Diana

    Abril 7, 2008 em 12:50 pm

  5. Diana, olha é a evidência. Os teus números não deixam mentir.

    Se até aqui já se escrevia tão mal em português, a partir daqui nem faço ideia. Se bem que vai aparecer uma nova desculpa: “Ah, ainda não sei bem como é que isto se escreve agora com o acordo.” que vai servir para uma boa meia dúzia de anos.
    Cada vez que penso nisso, só me lembro do teaser do Campeonato Nacional de Língua Portuguesa, com aquela croma responde depois de lhe ser perguntado o significado de uma palavra: “Ah, eu não pesco nada de inglês!” e a entrevistadora: “Mas isto é português.” :D

    Akula

    Abril 7, 2008 em 1:01 pm

  6. mini-saia, vai ser minissaia.
    acto, vai ser ato.
    concepção, vai ser… concepção porque no Brasil lê-se o “p”.

    Venham mais regras como estas, todas baseadas em bom senso, como se vê.

    Akula

    Abril 7, 2008 em 1:03 pm

  7. A parte mais fixe disto tudo é que vai bastar ver dois ou três meses de novelas da SIC para se ficar a saber de cor, todas as novas regras. ;)

    Serviço público é isto, não é andar a tirar a porcaria dos anúncios da RTP.. ehehhehehehe

    Akula

    Abril 7, 2008 em 1:05 pm

  8. A última questão, será:

    Jusineide, Josimar, Cacineide e Teobaldo passarão a ser nomes autorizados em no registo civil?! Porquê ficar a meio da importação?! Vamos a isso! 7 ou 8 milhões agradecem!

    Akula

    Abril 7, 2008 em 1:08 pm

  9. lol
    Será que devo continuar a vestir mini-saias ou minissaias (tipo cintos) como as Jusineides? :)

    Diana

    Abril 7, 2008 em 1:15 pm

  10. Pela 1.ª vez acho polémica, uma opinião tua. Também tenho pena q façam as alterações, mas ao q parece, são inevitáveis, sob pena q se perca a Lusofonia, e aí sim, surja a amálgama. De qq forma tb adianto já, q por mim, vou fazer finca pé e continuar a escrever da mm forma. E a polémica? A polémica está nas comparações q fazes EUA/India e na atribuição da classificação de sub-desenvolvidos. Por fim, tb concordo com o 1.º comentário, parece q nós q fizemos a evolução, diz-me um especialista na nossa Língua , q mora aqui à minha beira ;)

    Brigite

    Abril 7, 2008 em 1:19 pm

  11. Diana: qualquer uma das duas opções são válidas, mas se vamos importar, porque não importar tudo!? ;)

    Brigite: Pois que não posso contestar opiniões de autoridades linguísticas. Não sou um estudioso da matéria (como bem sabes) por isso só posso dar a minha perspectiva enquanto leitor, que normalmente defende a ideia da lei dos mercados (como bem sabes :) )
    A Índia tem mais habitantes, mas os EUA publicam 1000 vezes mais literatura. O que significa que a perpetuação da língua será predominantemente americana e inglesa.
    Estou contigo no protesto, escreverei no português que conheço até ao dia em que não o possa fazer. Que me lembre, é a minha primeira resistência ao futuro. :)

    Akula

    Abril 7, 2008 em 1:42 pm

  12. Rapaz, não leves isto como uma afronta. Caso não tenhas lido, eu disse que estava DE ACORDO CONTIGO. Não sou contra que se comente, não estava de modo algum a atacar quem fala. Mas considero, que nós portugueses nos resignamos, encolhemos os ombros e deixamo-nos andar ao sabor das marés.
    Conheces bem o Brasil para pores em causa o seu considerável desenvolvimento? Vamos até ao interior de Portugal. É um país desenvolvido?
    Relativamente a livros, a minha experiência recai sobre os livros técnicos, nomeadamente de engenharia, arquitectura e ciências sociais, encontrei diverso material em português do Brasil e não em português de Portugal. Claro que as traduções que li deixavam muito a desejar e claro que aquilo me enervava profundamente. Por isso optava por ler a versão original ou traduções em espanhol, o francês, italiano ou inglês, mas em bom rigor, maioritariamente perdia mais tempo a ler os livros noutros idiomas, porque implicava um nível de concentração mais elevado e consequentemente mais canseira. E garanto-te que biologia, genética, bioquímica, matemáticas, física, sociologia, psicologia, dinâmicas, pedagogia, antropologia, estruturas, climatologia, geomática, ordenamento, estatística, delineamento, gestão, marketing, politica, materiais, tecnologias, já dão trabalho por si só. Ter de as estudar em línguas que não dominamos é deveras exaustivo. Claro que ao fim de algum tempo passa a ser mais automático, mas uma tradução em português do Brasil para o exame da próxima semana e ainda por cima sem ter presenciado as aulas, ahhh tornava tudo muito mais simples (isto se não desse para recorrer aos apontamentos/resumos de uma colega mais assídua e dedicada)
    Quanto à informática e internet, acho que agora não temos muito que nos queixar, no entanto, em tempos idos, era eu piolho espigadote, lembro-me que era tudo em inglês, o que me trazia imensas dificuldades visto não ser proficiente nem no idioma, nem na informática e a internet era um mundo novo a descobrir, e sim aí o “brasileiro” ajudou, mas não sou uma pessoa grata, lamento sim, que Portugal não tenha uma capacidade de resposta como o Brasil.
    Início de tom irónico:
    Ahhh… nós somos europeus, e desenvolvidos e eles coitados são considerados por tantos de nós, “os desenvolvidos”, como subdesenvolvidos e consequentemente mais “burros”,por isso eles têm que ter tudo traduzido, ou será que somos, nós que nos encostamos às suas traduções. Sim, porque nós como país desenvolvido sabemos falar línguas, pois está claro, assim as camadas da sociedade que sabem inglês safam-se, sim esses!, os desenvolvidos. Os que não sabem, que esperem pela tradução dos brasileiros, ou faziam um grande favor se emigrassem para o Brasil visto que não são dignos de viver num país desenvolvido como Portugal …
    Fim de tom irónico.
    Manifesto aqui o meu desacordo quanto ao acordo ortográfico… concordo que a língua deva ser simplificada e uniformizada, e faz sentido que a língua escrita se aproxime cada vez mais da língua falada, mas o problema é que nós não falamos de igual modo?
    Pergunto-me muitas vezes e porque não, cada país deixar a lingua seguir a sua própria evolução.
    Porque é que nós queremos tanto assegurar o português no Brasil?
    Porque não podem os brasileiros falar brasileiro? Terem a sua própria língua?… ah porque somo pequenos e queremos ainda tentar manter resquícios do mavioso império de outrora…
    Muito mais teria para golfar sobre este assunto, mas já estou extenuado de escrever. Numa próxima oportunidade poderei falar sobre as diversas tentativas de acordos ortográficos que tem vindo a ser feitos e não ratificados pelo Brasil, sim porque abordei o assunto nas aulas de linguística e ironia das ironias tinha um dos manuais em português do Brasil…

    Pandora

    Abril 7, 2008 em 3:07 pm

  13. Pandora: Então só para terminar o assunto :)
    Em primeiro lugar, a minha forma de escrever é semelhante à de falar, eu sei que por vezes o tom não é o mais próprio. Pode parecer que estou a berrar mas não estou. Nem estou a tentar convencer ninguém. Só tenho por hábito dissecar o que me respondem na tentativa de achar a razão. Por isso, não leves a mal o tom. :)
    Eu concordo com quase tudo o que disseste, até porque visivelmente dominas melhor o tema do que eu. Mas sabes, eu acho que a verdadeira solução passaria pela tua sugestão: porque não deixar que a língua evoluísse naturalmente em cada um dos países?!?! É que o problema é mesmo esse para mim, ver-me obrigado a transformar a minha forma de escrever porque além oceano existem muitos milhões que preferem assim.

    E prontes… ;)

    Akula

    Abril 7, 2008 em 3:34 pm

  14. ;) :*

    Pandora

    Abril 7, 2008 em 3:35 pm

  15. Escreves bem Pandora. Também tens um blog? :)

    Diana

    Abril 7, 2008 em 4:28 pm

  16. O tema é interessante, por isso ainda vou dizer mais uma coisinha ;) Enquanto me deixarem escreverei no nosso português, escreverei. Mas n posso deixar de achar q o Acordo é um mal necessário. Continuo a achar q é mto relevante para a Língua Portuguesa, ter um país como o Brasil (e esperemos q Angola e Moçambique tb, embora, este último, mais complicado) a falarem português. Acho mm uma questão estratégica. P.S. Mencionei estes CPLP, por causa da demografia. não me esqueci dos outros ;) P.S.2 gosto da forma democrática como respondes aos comentários, Akula ;)

    Brigite

    Abril 7, 2008 em 10:09 pm

  17. Pandora: és autor no Visceral, certo? Se assim fôr, Diana, o link está no meu blogroll.

    Brigite: é claro que corremos sempre o risco de sermos incorrectos, injustos, etc. Mas se isso alguma vez acontecer aqui, digo adiantadamente que é sem intenção. Responder democraticamente é a única reacção a quem comenta democráticamente como vocês o fazem aqui.

    É isso aí.. :D :D :D

    Akula

    Abril 7, 2008 em 11:19 pm

  18. Diana e Akula: não, não tenho um blog.
    Não escrevo no Visceras. Limito-me, tal como aqui, a ler e eventualmente comentar.

    Un blog é come un figlio… troppo impegnativo.
    A me mi piace il dolce fare niente.

    Baci e abbracci.

    Pandora

    Pandora

    Abril 8, 2008 em 9:00 am

  19. Pois é, aquela que é a língua-mãe é que teve de ser alterada. Motivos para isso há muitos, em proporção à controvérsia que causou ao povo lusitano :P

    djamb

    Abril 8, 2008 em 10:18 am


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